O COMUM DAS DIFERENÇAS
Sim, dá para dizer o que você quiser. Mas não em qualquer lugar e não mais para qualquer pessoa. Afinal, é o seu modo de ver o mundo. Certas opiniões, guarde para si mesmo. Ou procure, ao menos, escutar pessoas quem pensam diferente de você.
É importante entendermos que a estética e o que consideramos valores e crenças são um conjunto de modelos históricos definidos por contextos éticos e sócio culturais. Basta lembrar das imagens revolucionárias para a humanidade em determinadas épocas: mulheres queimando sutiãs, negros sentados ao lado de brancos no mesmo ônibus - assim fica mais fácil compreender os códigos que regem a sociedade e seu modo de vida, a noção de que o certo e o errado mudam de lugar.
E, sim, considero que os critérios de penalização do Estado sejam regidos pela definição de Cidadania e num diálogo sempre democrático. Mas há aspectos fundamentais que são inegociáveis: Direitos de ir e vir livremente, constituir família, usufruir os mesmos diretos e deveres de qualquer cidadão comum. E o direito de manifestar afeto como qualquer casal comum, sem que isso seja interpretado como ofensa às normas sociais.
Ninguém é obrigado a aceitar. Mas vivendo em sociedade, o dever é de respeitar. E acostumar a olhar, porque ninguém merece viver escondido.
Engraçado como é normal dentro de uma balada as pessoas acumularem parceiros, beijando vários na sequência. Porém, este comportamento seria malvisto à luz do dia em ambientes considerados “familiares”.
O problema de estar à margem, no gueto, no escuro, no desconhecido é justamente este: ser marginalizado, ser associado à comportamentos e pré-conceitos movidos pelo medo do desconhecido. Daí a homofobia e rejeições em todos os níveis.
Talvez a imagem de duas mulheres trocando carícias seja mais aceita. Talvez de duas mulheres lindas e bem femininas. Ou dois homens sugerindo um romance, jamais um beijo escancarado. Pensar em núcleos poli afetivos ou abertos ainda estão muito longe de serem aceitos à luz do dia, nas histórias que acompanham os nossos crachás, ao adentrarmos ambientes corporativos.
Mas a verdade é que somos pessoas reais, de todos os tipos e estéticas e, quando queremos intimidade ou carinho, nos beijamos, queremos conexões reais... Simples assim, naturalmente.
A verdade é que as relações e as famílias homo afetivas existem deste o início da humanidade, assim como pais e mães super amorosos e responsáveis que criam filhos abandonados por casais héteros.
E, agora falando ao meu respeito: quero ter o direito de ser considerado família, de manifestar carinho na rua sem ser julgado ou agredido, de levar meu futuro marido para a festa da empresa sem constrangimento, de tirar minhas futuras relações e afetos do escuro. De ter uma identidade não estereotipada, vulgarizada, oprimida.
Amigos que têm filhos, entendam: mais importante do que desejar como seu filho expressará a sexualidade dele, é ensiná-lo sobre um amor que vai além de genitais, raça, motivações políticas, estéticas ou religiosas.
A gente teria um mundo muito mais bonito, com pessoas espalhando suas belezas de forma genuína e cidadã.
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