Num momento você é uma das coisas mais importantes para alguém. Noutro, você não significa nada. Percebe como existimos e deixamos de existir para os outros e os outros para nós. Alguns evocam a lembrança por perfumes, outros insistimos em permitir que nos causem cicatrizes. Temos o poder de criar novas pessoas dentro de nós, idealizando-as, diminuindo-as ou misturando-as às multidões estigmatizadas de nossos preconceitos, sem sequer às conhecermos como realmente são. Será que temos a capacidade de conhecer o outro como realmente é, ou limitamo-os sempre às nossas semelhanças, ao que nos é mostrado e às dimensões conhecidas? Posso duvidar e até mesmo não sentir a presença do que está fora, mas debaixo das minhas peles é que me faço conhecido a apreendo a travessia reconhecendo transeuntes, existindo sem fim.
ANTROPOFAGISTA
Era quase gente. Barba por fazer, olhos profundos imersos em manchas faciais... os músculos atrofiados não conheciam mais o sorriso. Sua pele branca não apreciava mais o Sol da manhã. Cabelos louros e compridos cobriam seus ombros franzinos e seu estômago clamava uma alimentação mais saudável. Tinha dinheiro, mas vivia numa caixa.
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